IGAPE é fiel depositário da antiga África Têxtil

PRESIDENTE DO IGAPE (ESQ.) COM REPRESENTANTES DA JUSTIÇA E DOS TRABALHADORES
O Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) foi constituído na passada quarta-feira (21.8), fiel depositário da companhia industrial de Benguela Alassola, a antiga África Têxtil, arrestada nos termos de uma providência cautelar interposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR), para sanar irregularidades na atribuição de três empreendimentos do sector.
No acto de constituição da agência governamental como fiel depositário, o presidente do Conselho de Administração do IGAPE, Valter Barros, anunciou a iminente indicação de um administrador-delegado para acompanhar a gestão integral da companhia e proteger os interesses do Estado.
Segundo o Jornal de Angola (22.8), a orientação aos gestores do Estado que assumem a fábrica é manter os 75 postos de trabalho disponíveis, assim como as operações de produção, até que os tribunais encerrem todo o processo que, de acordo com Valter Barros, pode desembocar na privatização daquela fábrica e das outras duas unidades têxteis envolvidas nesse processo.
Enquanto fiel depositário, o IGAPE tem o direito de manter a segurança do património e o pleno funcionamento da fábrica, para não criar dificuldades aos trabalhadores que nela laboram.
A expectativa, considera o docente de Economia no Instituto Superior Politécnico Jean-Piaget de Benguela, José Bocassa, deve apontar, também, para que a antiga África Têxtil consiga atingir níveis de produção que permitam reembolsar o financiamento japonês envolvido na recuperação da fábrica, concluída em 2017, com uma garantia emitida pelo Governo.
O arresto da Alassola é parte de um processo que envolve, também, a Textang II, de Luanda, e a Satec, do Dondo, construídas com fundos públicos e arrestadas pela PGR, depois de se terem constatado irregularidades na forma como foram cedidas ao capital privado.
O processo iniciou na Textang II, devendo ficar concluído com a entrega da Satec, de acordo com o Jornal de Angola.
Em Junho, a PGR já tinha avançado com o arresto dessas unidades face a irregularidades no processo de privatização e o incumprimento, pelos novos proprietários, das cláusulas contratuais, nomeadamente no capítulo financeiro.
Na altura, a directora do Serviço de Recuperação de Activos da PGR, Eduarda Rodrigues, disse que o processo, ora desencadeado, fazia todo sentido, já que o Estado era o único a arcar com os custos.
FONTE: JORNAL DE ANGOLA
