Porto do Namibe modernizado com financiamento do Japão

DADOS INDICAM QUE A CAPACIDADE ESTÁTICA DO PORTO DO NAMIBE É ELEVADA DE 1.700 para 2.700 TEUS

O Ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, anunciou (05.08), em Moçâmedes, uma renovação do empenho do Executivo e do apoio financeiro do Japão que tornam possível a modernização e expansão do Porto do Namibe, com o aumento da capacidade de atracagem, movimentação de navios e de mercadorias.

Ricardo de Abreu falava à margem da inauguração das obras concluídas da segunda fase do Projecto de Reabilitação e Modernização do Porto do Namibe, que terminou em Maio, 65 anos depois de ter sido lavrado o auto que formalizou o início dos trabalhos de construção do cais acostável do então Porto de Moçâmedes.

O ministro indicou que, antes dessa intervenção, o cais movimentava entre oito a dez navios por hora, o que é aumentado para entre 30 e 35 movimentos por hora, a capacidade estática é elevada de 1 700 para 2 700 teus, passando as ligações frigoríficas de 25 para 100 tomadas.
Notou que, não obstante à grande interferência das marés, devido ao facto de ser um porto de águas abertas e sem protecção, com a reabilitação completa do cais, será possível introduzir novos e mais modernos meios de descarga como gruas móveis, permitindo o triplo dos movimentos no cais e a consequente diminuição dos tempos de escala, de uma média de quatro a cinco dias de operação, para um dia por cada mil contentores.

“Este porto já esteve virado para a economia desta e das províncias da Huíla, do Cuando Cubango e Cunene. Com o término da segunda fase, vamos ter aqui no Namibe um porto em posição de concorrer com os seus similares mais próximos, respondendo ao crescimento da procura que se avizinha com a retomada da exploração mineira e o incremento da produção agrícola nesta região”, assegurou o Ministro.

Ricardo de Abreu revelou a iminência de serem tomadas medidas de gestão para o subsector Marítimo e Portuário que vão permitir capitalizar neste e noutros portos, como é a disseminação do modelo de gestão de terminais do Porto de Luanda.

 Fruto deste investimento, adiantou, espera-se que apareçam investidores privados nacionais e estrangeiros com capacidade financeira e conhecimento, quando se decidir lançar os concursos a favor dos terminais portuários, onde o Ministro disse prever que se ultrapassem os números da produção dos anos 70, superando os seis milhões de toneladas por ano. 


OPORTUNIDADES DE EMPREGO

Esta infra-estrutura, aliada ao Projecto de Desenvolvimento Integrado da Baía do Namibe, também financiado pelo Governo japonês, além de dar um novo rosto a Moçâmedes, reforça a capacidade local de transporte, segurança e eficiência no manuseamento das cargas, redução dos custos do frete, aumento das receitas, bem como o crescimento do valor do porto, atraindo embarcações de grande porte. Espera-se ainda um aumento das oportunidades de emprego para os jovens do Namibe e o surgimento de uma variedade de profissões relacionadas às novas actividades, no fim, um incentivo à diversificação da economia. “Vamos ter um porto novo, cujo desempenho influenciará, positivamente, a qualidade de vida das populações do Namibe”, concluiu Ricardo de Abreu.

O Embaixador do Japão em Angola, Hironori Sawada, frisou que o seu Governo contribuiu para este projecto com um financiamento de 60 milhões de dólares, numa parceria que envolveu o sector privado nipónico, através da TOA Corporation.

 Hironori Sawada também garantiu que o Japão vai continuar a direccionar apoios ao Namibe, onde a TOA Corporation está envolvida, como empreiteira, no Projecto de Desenvolvimento Integrado da Baía do Namibe, o que inclui a expansão do terminal de contentores do Porto do Namibe e a reabilitação do Porto do Saco-Mar.

PARTICIPAÇÃO DE ALTO NÍVEL NA CONFERÊNCIA DE TÓQUIO

Angola e o Japão estão no momento mais importante da sua história comum, o que pode ser sublimado na 7ª Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África, a ter lugar na cidade de Yokohama, no final deste mês, na qual Angola estará representada por uma delegação de alto nível

Segundo o Embaixador nipónico, a participação de Angola no referido Fórum trará novos impulsos para incrementar as relações económicas e comerciais, uma vez que Angola é a terceira maior economia de África.

“Temos muito a fazer para alargar as nossas relações e esperamos que a cooperação no Namibe possa servir como um bom exemplo para o futuro,” declarou o diplomata.

O governador do Namibe, Carlos Cruz, destacou o porto como um activo estratégico para o desenvolvimento da região Sul, por ser a mais importante “porta” de entrada e saída de mercadorias.

FONTE: JORNAL DE ANGOLA

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